segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Chave de Sarah – Tatiana de Rosnay


"Nenhum soldado alemão foi mobilizado durante a operação de deportação. Foi um crime cometido na França pela França."

François Hollande (Primeiro Ministro francês)



Nunca esquecer. Esse é o tema do livro e é uma dívida do mundo todo para com aqueles que sofreram durante a II Guerra tanto na Alemanha quanto nos demais países ocupados, porque fechar os olhos para a responsabilidade é um desrespeito para com todos os perseguidos pelo nazismo.

Antes de ler esse livro eu já tinha lido um pouco sobre o colaboracionismo na França de Vichy, mas nunca tinha lido nada sobre o episódio que ficou conhecido como Vel’ d’Hiv, a batida policial orquestrada pela polícia francesa, e sob a aprovação das autoridades francesas, que durante o verão de 1942 aprisionou milhares de judeus franceses que seriam enviados diretamente para a morte em Auschwitz.

Esse fato, e a forma como o franceses parecem ter mascarado a verdade por muito tempo, é o tema central do livro. 

Vamos a história. Julia Jarmond é uma jornalista americana, casada com um belo francês, e que vive em Paris há 25 anos, onde escreve para uma revista americana e sobre tudo aquilo que a França tem para oferecer. Quando seu chefe lhe pede para escrever um artigo especial sobre o aniversário do episódio Vel’ d’Hiv, Julia se sente aturdida por descobrir que não sabe nada do assunto, por perceber que nunca ouviu falar daqueles milhares de judeus-franceses deportados por seu próprio governo.

Julia então passa a especular sobre o assunto com seus amigos e familiares franceses e então se dá conta de que que nem mesmo aqueles franceses mais jovens conhecem o fato. A história de Vel’ d’Hiv parece um segredo bem guardado pelos parisienses, um segredo que ela pretende descobrir e revelar por inteiro.

Enquanto acompanhamos as pesquisas de Julia, os capítulos vão se alternando com a narrativa dos acontecimentos de 1942 a partir da história de Sarah, uma garota judia de 10 anos que é levada para o velódromo e de lá para os campos da morte junto com seus pais. Sarah se desespera quando percebe que aquela é uma viagem sem volta, pois seu maior tesouro ficou escondido em seu guarda-roupa, trancado pela chave que ela leva para toda parte.

Enquanto a história de Sarah se desenvolve e as pesquisas de Julia avançam, a jornalista percebe que o fatídico episódio está bem próximo da maioria das famílias parisienses, inclusive de sua própria família. E, a partir de suas descobertas, ela passa a lutar para que aquele assunto, que é um tabu na França, seja relembrado para não ser esquecido nunca mais.

A história é simples, mas gostosa de ler, leitura fácil e rápida, a única coisa de que não gostei muito é que o livro fala bastante dos problemas conjugais de Sarah, e esse tipo de coisa me é enfadonha, porém, vale à pena a leitura.

O livro traz bastante informação histórica, coisas que eu desconhecia e isso me fez pensar que, se eu que leio tanto sobre II Guerra não sabia desse fato, imagina só as pessoas de maneira geral. 

Quantos outros segredos aqueles dias devem esconder??

Beijos e boas leituras;

Fefa Rodrigues