quarta-feira, 28 de maio de 2014

Diário de Berlim Ocupada – Ruth Andreas-Friedrich


Olá amigos, como podem ver eu ainda estou na fase “segunda guerra e afins”.

Esse livro – comprado no impulso e sem que eu tivesse qualquer informação sobre ele – é exatamente o que o nome diz, um diário do pós-guerra, e o mais interessante é que é um diário real, ou seja, foi escrito por Ruth Andreas-Friedrich, uma jornalista alemã que fazia parte do grupo de resistência ao nazismo Onkel Emil e que viveu os dias de queda em Berlim e de ocupação estrangeira.

O diário começa em 20 de abril de 1945, últimos dias da guerra, e quando Berlim sofria os mais pesados ataques russos e termina em 1948 quando a jornalista deixa Berlim.

Ruth e seus amigos de resistência aguardavam a chegada dos soldados russos como libertadores, mas, quando os bombardeios e tiroteios acabaram e eles puderam deixar seu esconderijo, se depararam com destruição, saque e estupro (Aqui, me lembrei de um documentário que vi sobre a guerra e que falava sobre o grande número de suicídios entre mulheres alemãs no final da guerra, muitas delas se mataram após serem estupradas pelos russos, outras para evitar passar por estupros, preferiram tirar suas vidas).

Numa cidade arrasada, sem governo e sem direção, os primeiros dias de esperança após o suicídio de Hitler e o fim da guerra logo se transformam em dias de busca por proteção contra os soldados russos e pela sobrevivência. Não havia comida, não havia água, não havia eletricidade. Aos berlinenses só restou vasculhar os escombros de sua cidade em busca do mínimo para sobreviver.

Mas, mesmo em meio a toda devastação e desesperança e envergonhados por terem tido que furtar e tomar para suportar fome e frio, Ruth e seus amigos se esforçam para retornar à civilização, buscando voltar às suas atividades normais e, principalmente, retomar a vida cultural da cidade organizando consertos, óperas e peças teatrais.

Esse trecho a seguir me chamou a atenção:


“Se a própria pessoa não se esforça para sair do lamaçal, ela se arrisca a lá ficar atolada para sempre. Estamos tentando com afinco sair dele e voltar à honestidade.”


O sofrimento desses alemães que já durava 13 anos não terminou com a chegada dos aliados. Continuaram a passar fome e frio, e sem carvão suficiente para se aquecer, centenas morreram congelados durante o inverno de 46/47. Mesmo após 1 ano de ocupação, os aliados ainda não tinham conseguido melhorar a vida dos berlinenses.

Na verdade, eu poderia falar muito sobre esse pequeno livro e sobre tudo que aconteceu nesses anos de ocupação. Se no livro que li anteriormente (Churchill x Hitler) os ingleses ganharam minha admiração por sua perseverança e por não aceitar a paz nos termos de Hitler (realmente, como disse Churchill “nunca tantos deverão tanto a tão poucos), esse livro me fez admirar os alemães por como se mostraram fortes na tentativa de reconstrução de Berlim, na busca pela retomada da vida política, na luta por reconstruir a civilização com base em seus principio de honestidade e democracia e na superação da imagem de que todo alemão era um nazista.

É triste pensar quanta capacidade e quantas possibilidades foram destruídas ao se matarem mutuamente dois povos tão brilhantes. Culpa dos alemães? Culpa dos Ingleses? Ou dos franceses? Culpa do homem e de sua incrível dificuldade em conviver.

Indico totalmente a leitura, não só para aqueles que gostam do tema, mas especialmente como uma lição, um aprendizado de que como um povo reconstruiu seu país totalmente arrasado, com as próprias mãos, após passar por sofrimentos e privações desmedidas, assumindo para si a responsabilidade em vez assumir uma atitude de inércia justificada na culpa de seus governantes.

Beijos e boa leitura

Fefa Rodrigues


Coisa de Criança

Uma criança vê uma parede em branco, pega seus lápis e giz de cera e desenha a parede toda. Chama a mãe para ver como ficou bonito. A mãe olha para sua parede recém pintada, pensa em quanto custou e quanto trabalho vai ter para limpar aquilo. A criança vê como aquela parede antes sem-graça está linda agora.

A mãe, prestes a gritar e castigar a criança respira fundo e elogia o desenho, diz que as cores estão lindas e que ficou tudo muito bonito, mas pede para a criança que, da próxima vez que ela quiser pintar, que avise assim a mãe irá comprar uma tela e poderá pendura seus belos desenhos pela casa toda.


Não sei, mas acho que essa criança aprendeu uma lição mais valiosa do que acerca do valor de uma parede branca!

- fefa rodrigues -

Imagem do Google





segunda-feira, 19 de maio de 2014

História de Horror Americana

Instigante, não é??
Não sei, mas para mim, não tem omo uma história que envolve um casarão antigo assombrado por fantasmas dos ex-morados não ser bom, ainda mais se a história dá uma boa escapada dos velhos clichês.

Acabei ontem de ver a primeira temporada de História de Horror Americana. São 12 episódios de uma história que vai do começo ao fim, ou seja, a segunda temporada é uma história totalmente nova, sem ligação com a primeira. Eu A-M-E-I, já meu marido achou "mais ou menos", então, sei que as opiniões não são unanimes sobre a questão!!;o)

A primeira temporada conta a história da família Harmon. Depois de um aborto traumático e outros problemas de relacionamento, o casamento do psicanalista Ben e Vivien está "por um fio", mas ele está disposto a tudo para manter sua família, então eles se mudam para L.A. junto com sua filha gênio-rebelde Violet.

A menina se apaixona pela casa imediatamente, e o casal também. É um casarão antigo que foi inteiramente reformado pelos antigos moradores e que está com o preço muito abaixo do mercado. A nova vida começa razoavelmente bem, apesar da dificuldade do casal em voltar a ser um casal e dos problemas que Violet encontra na nova escola.

Mas as coisas começam a ficar "confusas" quando Ben começa a tratar de Tate, um menino problema, rebelde e com um ar de psicopata. Em pouco tempo, e com a integração de novos personagens à história, realidade e pesadelo se misturam, levando os moradores da casa a não conseguir distinguir o real e o imaginário.

Eu gostei muito desse lance meio psicológico que a série explora, gostei da história também... na verdade a história em si não tem nada de super diferente, mas o contexto todo e a forma como tudo é abordado deixou a coisa bem interessante.

Pois bem, é isso. Agora, bora para a segunda temporada!!

Beijos,
Fefa Rodrigues




O DUELO - Churchill x Hitler - John Lukacs


“Não tenho nada a oferecer senão trabalho, sangue, suor e lágrimas”


“A Inglaterra Resiste”. E porque a Inglaterra resistiu, Hitler não conseguiu alcançar seu objetivo que, diferente do que estamos acostumados a pensar, não era dominar o mundo, mas ser senhor da Europa e tornar a Alemanha a maior potência mundial.

Já comentei aqui em várias oportunidades que sempre tento me lembrar de que as pessoas naquela época não tinham como conhecer a dimensão do que era o nazismo, e, por isso, muita gente boa olhou para a dominação alemã com simpatia, pois viam naquele novo modelo uma opção ao velho modo de governo democrata-parlamentar-capitalista corrupto e retrogrado.

Nesse livro, o autor nos fala dos 80 dias entre a nomeação de Churchill como primeiro-ministro da Inglaterra e o início dos ataques aéreos ao país em represália a sua insistência em não aceitar a paz oferecida pela Alemanha.


“Lutaremos nas praias, nas áreas de desembarque, nos campos, nas ruas e nas colinas; jamais nos renderemos e mesmo na suposição, na qual nem por um instante creio, de que esta ilha, ou grande parte dela, fosse subjugada ou passasse fome, nosso Império de ultramar, armado e guardado pela Frota Britânica, se encarregaria da luta até que a seu tempo, o novo mundo, com todo o seu poder, se apresentasse para socorrer e libertar o velho.”


Por todo esse tempo, apesar de todas as vitórias arrasadoras da Alemanha, da capitulação da França, da indecisão dos EUA e da certeza do mundo – e de vários ingleses -, de que eles não seriam páreo para o poderoso exército alemão, Churchill manteve sua determinação de não aceitar a dominação de Hitler, mesmo que para isso tivesse que continuar a luta sozinho.

Segundo o autor, esse determinação, além de ser própria do caráter de Churchill, se fundamentava no fato de que ele compreendia o que o nazismo significava, compreendia a mente de Hitler e acreditava que um mundo sob o domínio nazista seria um mondo sombrio e tenebroso.

Dá para perceber isso em suas palavras sobre uma possível vitória alemã:

"então o mundo inteiro, inclusive os Estados Unidos, inclusive tudo o que conhecemos e apreciamos, submergirá no abismo de uma Noca Era de Obscurantismo, tornada mais sinistra, e talvez mais prolongada, pelas luzes da ciência deturpada."

O livro fala tanto de Churchill como de Hitler, de como foram aqueles dias, de seus discursos, atos e planos, e depois da leitura desse livro minha admiração por Churchill e pelo povo inglês aumentou muito.

Churchill se manteve firme, os Ingleses se mantiveram firmes e, após a tentativa frustrada da Luftwaffe de destruir a RAF (promessa que Göering não conseguiu cumprir), Hitler desistiu do plano Leão Marinho e decidiu iniciar o ataque à Rússia e o resto da história a gente já conhece.

Não fosse a firmeza de Churchill o mundo seria muito diferente do que conhecemos hoje!!

Ótimo livro.

Beijos,

Fefa Rodrigues