sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Sobre o Inverno do Mundo e a necessidade de pensar...

Uma das perguntas que sempre me vinha à mente como uma Apaixonada por história da segunda guerra é “afinal, como a Alemanha, uma das civilizações mais avançadas do mundo, foi se corromper e aceitar o nazismo e todo absurdo que ele produziu?”.

Enquanto lia Inverno do Mundo um dos personagens pareceu a essa minha pergunta. Erik é o filho de Maud e Walter, dois intelectuais extremamente inteligentes e filiados ao partido social-democrata que fazem tudo que podem para evitar que os nazistas consigam o poder.

Erik não é tão inteligente quanto os pais ou sua irmã mais nova, Carla, de quem eu falei bastante na postagem anterior. Erik não se encaixa na família e está sedento por aceitação.

Como os pais não são membros do Partido Nazista e, por isso, ele acaba sendo rejeitado na escola, afinal ele é dos poucos filhos de alemães que não usa o uniforme da juventude hitlerista e, por isso, é obrigado a ficar com os estrangeiros e judeus na escola.

Essa necessidade de aceitação, de fazer parte de um todo, leva o garoto a ingressar, mesmo contra a vontade dos pais, na juventude hitlerista. 

A Alemanha pré-nazista estava humilhada pelo Tratado de Versalhes e, apesar de ter conseguido uma recuperação econômica após a Grande Guerra, a grande depressão de 29 acabou com a economia, deixou milhões de desempregados nas ruas, que se somavam aos ex-combatentes infelizes, sem dinheiro ou perspectivas e muitas vezes mutilados.

Pessoas que não se encaixavam e que buscavam um culpado para seus problemas. O nazismo, portanto, foi o “salvador” que aquelas pessoas buscavam.

Enquanto conhecia o personagem Erik, me lembrei do que Hannah Arendt fala em sua obra Eichmann em Jerusalém. Hannah acompanhou o julgamento do nazista que aconteceu em Jerusalém na década de 60 e, a partir dessa experiência, escreveu a obra na qual apresentou sua ideia de banalização do mal intimamente ligada a “recusa de pensar”.

Em um trecho de seu livro, Hannah nos conta que Eichmann era um homem incapaz de pensar e toda a sua atuação e obediência cega ao nazismo decorria de sua necessidade de ser um funcionário eficiente para ser reconhecido e aceito dentro da hierarquia nazista.

Para Hannah, Eichmann estava convencido de que ao obedecer cegamente às ordens nazistas ele apenas estava cumprindo seu dever de funcionário do Estado.

Ao ler esse livro e pensar naquelas pessoas, me lembrei do alerta que Hannah Arendt fez a todos nós, um alerta que não deve e não pode ser esquecido, que o “desumano se esconde dentro de cada um de nós e que a única forma de não sermos completamente tragados pelo mal que se esconde dentro de nós é constantemente pensar, avaliar e interrogarmos a nós mesmos, nossos atos e os atos de nosso governo.” 

Livros nos divertem, mas também nos fazem pensar...

Beijos;

Fefa Rodrigues


Inverno do Mundo – Parte I

Há tanto para se falar e se pensar ao ler esse livro que decidi escrever minhas impressões sobre ele em partes, assim, aqueles que desejam ler não vão se cansar tanto!!!


Talvez nem todos saibam, mas Inverno do Mundo é o segundo livro da trilogia O Século, que começou com Queda de Gigantes, um dos melhores livros que li na minha vida, um romance histórico perfeito que conta sobre a vidas durante os anos que antecedem a Grande Guerra, durante as batalhas e um pouco do pós-guerra na Inglaterra, na Rússia, Alemanha e Estados Unidos, através da vida de cinco famílias, e com um enfoque bem interessante na política internacional e na atuação dos diplomatas envolvidos. 

Realmente muito bom, aconselho a leitura!! 

Agora, em Inverno do Mundo acompanhamos os acontecimentos que antecedem a II Guerra Mundial, através dos filhos dos personagens do primeiro livro.

Como esse livro rendeu muito, vou começar com a parte que eu mais gostei, os Alemães!!!

Na Alemanha pré-nazismo acompanhamos Maud, uma aristocrata inglesa que abandonou a vida confortável na propriedade da família para se casar secretamente contra a vontade de seu irmão, o conde Fitz, com Walter, um diplomata alemão, com quem foi viver após a Grande Guerra na Alemanha, suportando todas as privações que se abateram sobre o povo alemão naquele período.

Agora, Walter é um parlamentar membro do partido social-democrata e Maud jornalista em uma revista que segue a mesma linha. Ambos percebem o mal que o nazismo representa e fazem de tudo para evitar que o partido consiga a maioria nas eleições em 1933, e enfrentam a violência da SS. 

O casal tem dois filhos, Carla, uma menina de onze anos, extremamente inteligente e com uma ótima compreensão da política e dos acontecimentos a sua volta, e Erik, um garoto de 13 anos fascinado pelos nazistas, para decepção dos pais.

O foco de toda a história que se passa na Alemanha é Carla, a garota corajosa que investiga a estranha morte de seu afilhado deficiente e descobre o programa nazista para acabar com as pessoas consideradas “inúteis”. Sua investigação, contudo, leva à prisão de seu pai pela Gestapo e a outras consequências terríveis. 

Conhecedora da realidade nazista, diferente do que acontece com a maioria das pessoas a sua volta que parecem não ver o que o nazismo realmente representa, durante a guerra Carla faz tudo que pode para ajudar os judeus a sua volta, trabalha como espiã para os russos e, graças a sua rede de espionagem o Exército Vermelho consegue se preparar para os ataques a Moscou e a Stalingrado, assim, graças a ela e seus amigos a Russia consegue vencer o exército alemão no leste.

Ao final da Guerra, quando o Exército Vermelho “liberta” Berlim, Carla sofre abusos dos soldados libertadores e fica grávida. Assim, seu filho Walli com certeza será um dos personagens que acompanharemos no terceiro livro da série.

Eu gostei demais do enfoque que o autor deu para esse ponto da história, porque acho que muitas vezes quando lemos romances históricos que se passam durante a II Guerra, a gente se esquece que aquelas pessoas, aqueles alemães comuns, não tinham o conhecimento que temos hoje de tudo que se passou. Os campos de concentração eram secretos, os horrores acontecidos ali não eram divulgados e, na realidade, foram eles que mais sofreram antes da guerra com a dureza do regime nazista e durante a guerra morrendo no front, bombardeados pela RAF, passando fome e frio e por fim ou violentados pelo Exército Vermelho.

Com certeza pagaram a conta muito além do que deviam.

E pensar que realmente existiram pessoas como Carla, que correram inúmeros riscos e passaram por tantas dificuldades para livrar o mundo do nazismo e do fascismo faz nascer uma sensação de gratidão. Pessoas que morreram no anonimato, pessoas que não receberam qualquer homenagem, e que talvez nós nunca iremos conhecer seus atos de coragem, mas que agiram e que não aceitaram as coisas por comodidade. Pessoas de coragem.

Assim, ao nos contar a história de Carla eu acredito que o autor nos leva a pensar em todas essas pessoas que deram suas vidas para que hoje nós possamos viver num mundo livre.

Esse é o ponto alto dessa série, o autor nos mostra como a história é escrita, na realidade, por pessoas comuns. Quando pensamos em quem venceu a guerra, pensamos em Stalin, Churchill e Roosevelt, mas depois de ler esse livro percebemos que a gerra foi vencida graças a atos de coragem e força de pessoas como você e eu.

Beijos e ótimas leituras...
Fefa Rodrigues


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Palavras são como espelhos...

Escrever é um forma de despir a alma de todo o peso que nos esmaga. Infelizmente, eu nem sempre consigo isso. Não escrevo muito, apesar de ter a mente e o coração cheio de palavras, apesar de necessitar dessas palavras. 

Mas acontece de algumas vezes eu me encontrar nas palavras dos outros, talvez seja isso que me faça amar tanto os livros. É que as palavras, mesmo quando não são nossas, podem servir como espelhos para refletir nossa alma despida e o espelho que me reflete de forma mais exata são as palavras de Desventuras Amorosas...

Fefa Rodrigues

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Sobre pessoas especiais

Hoje enquanto eu almoçava, notei uma mulher já de meia idade, acompanhada de sua filha, uma garota especial. Enquanto ela apontava para garçonete o que queria na marmita, a moça de cerca de uns 16 anos abraçava e beijava a mãe o tempo todo, bonito de ver todo aquele carinho. 

Então, na hora de pagar, a moça do caixa perguntou para a moça especial: "você quer uma sobremesa?", ela olhou para sua mãe, esperando a autorização, a mulher sorriu e disse "sim, pode pegar um docinho". Uma salada de frutas, e a moça especial demonstrou ainda mais carinho e agradecimento pela mãe.

Eu fiquei pensando em quantos pais e mães dariam tudo para que seus filhos adolescentes normais demonstrassem um pouco daquele carinho e respeito, ainda que não fosse às vistas de todos.

Outro dia vi no Facebook uma postagem que dizia que portadores da Síndrome de Down tem um gene há mais, o gene do amor.

Pensando bem, talvez seja exatamente isso.

Fefa Rodrigues



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Apaixonada pela II Guerra

É, talvez o título da postagem não tenha caído bem, apaixonada pela guerra fica estranho, mas a verdade é que a II Guerra é um dos eventos que mais me interessam na história. Então o Thiago, que sempre me visita aqui no blog falou do blog que ele criou para debater o assunto e dar dicas de livros e documentários!! 

Interessante que estou lendo atualmente O Inverno do Mundo que tem como pano de fundo o conflito!! Muito legal conhecer mais sobre o assunto...

Fica ai a dica para quem curte o assunto: História da II Guerra.

Beijos;
Fefa Rodrigues