quinta-feira, 15 de novembro de 2012

É necessário ter coração, mas é essencial ter juízo


Não faz muito tempo, um amigo me disse uma frase que havia ouvido de um de seus professores da pós-graduação, e que era mais ou menos assim: "quem não foi comunista antes dos 30, não tem coração, quem continua sendo depois dos 30, não tem juízo". Essa frase me veio à mente nessa semana em duas ocasiões, quando parei para pensar como é bom que o inconformismo seja algo típico da juventude e de toda a paixão que move os mais novos. Porém, estas mesmas situações me levaram a lembrar daquela frase porque a vida e as decisões e, acima de tudo, a forma de se conduzir, ainda que quando jovens, não podem ter por base apenas a emoção, não podem ser apenas passionais, não é apenas necessário, mas é fundamental, um pouco de razão em tudo isso. 

O que me fez pensar sobre isso foi ver uma escola aqui da cidade, muito antiga e recém restaurada, com seus muros todo pixados. O que mais me chateou não foi o fato daqueles muros que tinham acabado de receber tinta terem sido rabiscados, mas o fato de eu ter identificado a pixação. É que, já faz tempo, que eu tenho reparado e admirado as frases interessantes, frases que provocam, que levam a pensar, que um certo garoto (ou garota) tem espalhado pelos muros da cidade. A cada nova frase que eu encontrava por ai, com aquela caligrafia própria eu pensava: "tá ai alguém que pensa e faz pensar", até que reconheci a tal caligrafia nos muros da escola. Ao pixar a escola e demonstrar tamanho desrespeito com o patrimônio histórico e cultural da cidade, tal pessoa mostrou, com seu mal exemplo, que suas palavras talvez sejam apenas palavras, ou ainda que, apesar de todo o seu inconformismo, ainda está agindo com a emoção e por isso acabou por cair no mesmo erro que é objeto de suas tão duras criticas. Portanto, só posso concluir que lhe falta um pouco mais de razão. 

Outro fato que me levou a pensar sobre essa questão foi uma manifestação contrária ao atual prefeito municipal que eu vi acontecer nesta semana. Acho digno e essencial que as pessoas, e sobretudo a juventude, se interessem pelo que acontece na sua cidade, que exijam o que lhes é de direito, que busquem cobrar dos governantes e de seus representantes, contudo, fazer algazarra sem conteúdo, sem conhecimento dos fatos e, principalmente, sem respeito àquelas pessoas que dedicam seu dia, seu esforço e seu profissionalismo à cidade, é, como eu disse acima, apenas um monte de palavras que não levam a nada, apenas emoção sem razão, pois tocar pandeiro e repetir frases feitas e de efeito em frente a um órgão público não é fazer uma revolução e, portanto, não vai mudar nada.

Eu realmente gostaria de ver a juventude deste país agindo em benefício da coletividade, mas, para que isso aconteça, para que não sejam mais um bando de "caras pintadas" manipulados por uma rede de TV, é necessário temperar a paixão com grandes doses de razão, razão está que vem pelo conhecer e se amolda pelo respeitar. É necessário ter coração, mas é essencial ter juízo.

Beijos,
Fefa Rodrigues

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Voa


Voa

Palavra solta,

Pensamento que voa longe.

Quero me apoderar da palavra,

Usá-la. Prendê-la ao papel.

Torná-la serva daquilo que sinto.

Mas a palavra é livre;

Eu não.

Meus pés estão presos ao chão.



Beijos e bom feriado!!
Fefa Rodrigues

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Não quero certezas...

"Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar, é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas isto é o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram."

                                                                                                     - Rubem Alves -


Beijos, boas leituras e bom feriado mega-prolongado!!!
Fefa Rodrigues

domingo, 11 de novembro de 2012

A Menina que não sabia ler - John Rarding






"Nunca tinha visto os livros todos de uma só vez e em toda a sua glória. Quase desmaiei de tanta emoção."
                                                                                                                   - Florence -

Olá a todos!! Estava com saudades de postar aqui no blog. Ando sumida, e pela postagem anterior acho que deu para notar que estou bastante estressada, e a semana passada foi uma semana por demais cansativa. Estou necessitando de férias!!! Graças a Deus no feriado, que para mim vai começar na quinta-feira e terminar apenas na terça-feira da outra semana, vou descer para o litoral, sem celular!!! Acho que vai dar para descansar, pois o excesso de preocupações está começando a afetar minha saúde. Mas, vamos ao que realmente interessa, certo?!?! 

A Menina que não sabia ler foi um empréstimo da minha amiga Kelly - que me emprestou logo que comprou e antes de ter lido. Já tinha ouvido alguns comentários sobre o livro, mas não conhecia ninguém que já tivesse lido, então ele foi uma total novidade. Logo que vi que a história se passava em um casarão antigo, possivelmente assombrado, e cheio de mistérios envolvendo os antepassados de Florence de Giles, fiquei super interessada e a leitura foi super rápida.

Um breve resumo da história: Florence e Giles são meio-irmãos que vivem em um casarão no interior dos Estados Unidos (mas me fazia ter a sensação de que estava na Inglaterra), sem terem conhecido seus pais que haviam morrido eles apenas sabem que são mantidos por um tio, que vive em Neva Iorque, mas a quem não conhecem pessoalmente e que não tem qualquer preocupação com os dois. Por determinação deste tio, Florence, por ser mulher, é impedida de aprender a ler, enquanto Giles é enviado para um internato. A menina, porém, desde que havia entrado na grande biblioteca da mansão, que permanecia fechada e proibida, havia se apaixonado pelos livros e acabara por aprender a ler sozinha.

Florence demonstra sempre uma amor incondicional pelo irmão mais novo e sempre se preocupa com sua segurança e seu bem-estar. Além de Giles, Florence tem Theo, um amigo que vem visitá-la constantemente quando está com sua família no campo. A garota passa a vida lendo seus livros pelos cantos sombrios da casa, sem que os criados a incomodem, até que, depois de um semestre no internato, Giles volta para casa com a notícia de que não deverá continuar estudando lá e com a orientação de que o tio deverá contratar uma preceptora.

A primeira preceptora a chegar à mansão sofre um estranho acidente e morre, então, para substituí-la, chega a Sra. Taylor, e a partir dai as coisas começam a ficar estranhas, e sem que a gente consiga compreender se o comportamento estranho da mulher é real ou se tudo decorre da imaginação da garota. 

Agora minha opinião, portanto, spoilers!!!

Gostei muito do clima de mistério do livro, apesar de que, esperava um pouco mais de descrições do casarão e esperava mais fantasmas também, mas a narrativa, em muitos momentos, faz a gente prender a respiração e o coração disparar. O grande mérito, para mim, nesta história, é o clima de suspense que o autor consegue criar.

Realmente eu passei a maior parte da história deste pequeno livro - apenas 282 páginas - sem saber ao certo se tudo o que estava acontecendo estava apenas sendo imaginado por Florence, que, assim como Vincente ou como Dom Quixote, vivia mais no mundo dos livros do que no mundo real, portanto, com uma percepção equivocada da realidade. 

O raciocínio de Florence era o que mais me intrigava, a forma como ela sempre concluía pelo absurdo, mas depois me dei conta de que ela é uma criança, por isso, para ela era mais provável que a nova preceptora fosse uma "reencarnação" da antiga preceptora do que apenas uma mulher enérgica. Acontece que algumas coisas bem reais começam a apontar para o fato de que Florence pode estar certa, é por isso que não temos como ter certeza do que está acontecendo.

Assim que terminei o livro pensei que não gostei do final, mas, analisando melhor, percebi que não é que não gostei do final, mas sim, que o final me deixou com uma sensação de mal estar, afinal, só posso concluir que Florence é uma psicopata ou esquizofrênica - o diagnóstico fica por conta de alguém que entenda de psicologia. A forma como ela planeja e executa seus atos para proteger seu irmão de algo que pode ou não ser real é assustador.  

O que me chamou mais atenção em seu comportamento foi que ela derramou "uma ou duas lágrimas" tanto por pensar no cavalo passando a noite no frio, como por seu amigo Theo... essa frieza é coisa de psicopata!! Sinceramente, agora posso dizer que gostei da história, acho que daria um ótimo filme, e acredito que quem estuda psicologia iria adorar ler e analisar o comportamento da garota!!
Só mais um detalhe, acho que a história poderia bem ter uma continuação!!!

Agora, cá estou eu lendo O Inverno do Mundo, porém, como ele é meio grande e como eu odeio carregar muita bagagem nas minhas viagens, vou levar como companheiro no feriadão o Contos de Terror e de Mistério do Edgar Allan Poe.



Tá ai mais uma dica, beijos e boas leituras!!!
Fefa Rodrigue